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UFF divulga estudo que mapeia a progressão da covid-19 em Niterói

O trabalho científico em torno do coronavírus e seus efeitos não é apenas no sentido de entender o presente, mas gerar recursos para lidar com o futuro. Entender a tragédia até aqui auxilia no combate que vai ser travado daqui para frente. Esse é o trabalho de cientistas e pesquisadores mundo afora. A UFF e a Fiocruz tem se unido em pesquisas e estudos do caso brasileiro.

O Protocolo de investigação para os primeiros casos e contatos de coronavírus em março e abril de 2020, Niterói – RJ foi divulgado no último dia 16, pelo site institucional da Universidade Federal Fluminense. O texto explica que o estudo conta com 20 professores doutores de 5 áreas distintas, todos vinculados a Universidade.

Crédito: Pixabay

O estudo é voltado para a cidade de Niterói e mapeia as características locais da pandemia. A pesquisa, multidisciplinar, leva em consideração as “características clínicas, de transmissibilidade e também epidemiológicas” das infecções do novo coronavírus na cidade. O reitor da UFF,  Antonio Claudio da Nóbrega, ressaltou o valor da integração da instituição com a sociedade.

A pesquisa realizou uma o rastreamento dos casos confirmados de covid-19 na cidade e realizou a testagem dos contatos próximos desses pacientes. A pesquisa contou com o apoio da prefeitura de Niterói na realização das testagens. Assim foi possível mapear alguns dados relevante na construção do planejamento público como: distribuição de casos de acordo com fatores socioeconômicos, faixa etária, gênero; além também de observar mais de perto o potencial de transmissão de casos assintomáticos e sintomáticos.

A professora Jackeline Vasconcelos, do Instituto de Saúde Coletiva do Departamento de Epidemiologia e Bioestatística, responsável pela pesquisa, destaca que é “fundamental […] que o monitoramento e o controle sejam baseados nas evidências científicas”. Especialmente se os recursos não são tão abundantes como seria em um cenário ideal, é preciso garantir que todo investimento feito seja inteligente e potencializado da melhor forma.

Vasconcelos explica que o estudo vai no sentido de encontrar o primeiro caso de coronavírus na cidade e mapear, a partir daí, como se deu a disseminação do surto. De acordo com dados oficiais da prefeitura, foram confirmadas até hoje 4139 casos da doença, dos quais 75% já se recuperou, tendo 169 mortes, e ainda 960 pessoas infectadas, das quais 120 estão internadas.

A pesquisadora destaca que o cenário ideal de combate ao vírus é através da vacina, mas mesmo as mais otimistas previsões apontam apenas para o primeiro semestre de 2021. Nesse caso, é importante continuar trabalhando para controlar a pandemia e isso se alcança através de políticas de segurança, saúde e saneamento básicos, mas que devem ser feitos com inteligência e máximo uso de recursos.

Pelo menos em Niterói, a parceria do poder público com as produções científicas já tem demostrado resultados. Semanas atrás, por exemplo, pesquisadores da UFF foram capazes de identificar a presença do novo coronavírus na rede de esgoto municipal. São todos indicadores que, juntos, montam uma espécie de quebra-cabeças que direciona para onde os esforços públicos devem se voltar.

Nesse sentido, o mapeamento é fundamental para garantir que a Prefeitura vai saber para qual direção olhar e onde se empenhar mais. Isolando os grupos mais afetados pela doença, as politicas públicas são projetadas para atender as regiões e grupos mais críticos.

Já se sabe que pacientes idosos ou com comorbidades integram o grupo de risco. Esse grupo já tem recebido maior atenção das políticas públicas. Mas mapear o número de contágios em crianças, homens, mulheres, ricos, pobres, nos diferentes bairros e etc, tudo isso contribui para que a ação do poder público seja cada vez mais cirúrgica, especialmente em um momento no qual o processo de reabertura começa a ser colocado em prática.

Escrito por Roberta M

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